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Precisamos de Gestores de Ciência: Investigadora do TERRA defende valorização estratégica desta profissão

No artigo de opinião recentemente publicado no Público, a historiadora e investigadora Maria Fernanda Rollo, membro do Centro de Ecologia Funcional (CFE) e do Laboratório Associado TERRA, lança um apelo claro: Portugal precisa de valorizar e reforçar o papel dos gestores de ciência como agentes essenciais para o funcionamento eficaz do sistema científico e tecnológico.

Sob o título provocador “Porque é que precisamos de mais gestores de ciência?”, a ex-secretária de Estado da Ciência sublinha que esta é uma pergunta retórica, cuja resposta é “sim, urgentemente”. A autora defende que os gestores de ciência são profissionais fundamentais para garantir que a máquina complexa da produção de conhecimento funcione com eficácia, rigor e impacto social.

“Os gestores de ciência são os especialistas que asseguram que a investigação decorre de forma responsável, ética, transparente e financeiramente sólida”, escreve Maria Fernanda Rollo. “São quem assegura a legalidade das contratações, o cumprimento de prazos, o diálogo entre investigadores e entidades financiadoras, a adequação das despesas, a preparação de relatórios. São quem conhece a fundo o funcionamento da administração pública e da ciência e que, com os investigadores, desenha projetos e soluções.”

Esta visão vem reforçar uma preocupação já antiga, mas que permanece invisível no debate público: apesar de essenciais, os gestores de ciência continuam a não ter reconhecimento formal, carreiras estruturadas, ou remuneração condizente com a complexidade das suas funções. Muitos trabalham em condições precárias, sem contratos estáveis ou perspetivas de progressão. Maria Fernanda Rollo alerta ainda para a ideia de que a ausência de políticas claras para a profissionalização e valorização destes técnicos pode comprometer a eficácia, a transparência e a continuidade dos projetos científicos. E defende: é hora de “criar uma carreira técnica para gestores de ciência”, com formação especializada, estatuto profissional e integração plena nas equipas científicas.

Numa altura em que se apela à ciência para responder aos maiores desafios — das alterações climáticas à saúde pública, da segurança alimentar à gestão do território —, não podemos dispensar nenhum dos seus pilares estruturantes. 

A ciência precisa de gestores. E os gestores de ciência precisam de reconhecimento.