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Investigador TERRA vence prestigiada bolsa ERC para projeto inovador na monitorização de qualidade da água

O investigador Paulo Rocha, membro do Centro de Ecologia Funcional (CFE) e do Laboratório Associado TERRA, foi recentemente distinguido com uma bolsa ERC Proof of Concept Grant, uma das mais prestigiadas distinções a nível europeu na área da investigação científica. Este financiamento irá apoiar o desenvolvimento do projeto PROTEGE, que visa a validação de um protótipo inovador capaz de detetar, em tempo real, cianobactérias em reservatórios de abastecimento de água e bactérias patogénicas em tanques de aquacultura.

Conselho Europeu de Investigação (European Research Council – ERC) concedeu apenas quatro bolsas deste tipo a Portugal, sendo que o TERRA foi distinguido com uma dessas atribuições, reforçando o seu posicionamento enquanto estrutura de referência científica nacional e internacional.

O projeto PROTEGE assenta nos avanços já alcançados com o anterior projeto financiado pelo ERC — o ERC Starting Grant GREEN — que marcou um momento decisivo na área da bioeletrónica ambiental. Este primeiro projeto permitiu desenvolver espumas condutoras porosas altamente sensíveis, com capacidade para monitorizar a sinalização elétrica de comunidades microbianas em diversos contextos aquáticos.

Segundo o investigador Paulo Rocha:

“O projeto ERC Starting Grant GREEN marcou um avanço importante na bioeletrónica ambiental, ao desenvolver espumas porosas com elevada sensibilidade, estabilidade eletroquímica e compatibilidade com meios complexos. Estas espumas funcionam como sensores capazes de detetar e monitorizar a sinalização elétrica de comunidades microbianas em diferentes ambientes/sistemas aquáticos. O trabalho envolveu uma otimização cuidadosa da morfologia do material condutor, bem como a sua integração com sistemas de leitura elétrica altamente sensíveis e robustos.

Com a continuidade proporcionada pelo projeto PROTEGE, entramos agora numa nova fase: testar e validar estes sensores em cenários industriais reais, aproximando a investigação fundamental da aplicação prática. Este percurso abre novas possibilidades para a monitorização em tempo real de ecossistemas microbianos, com impacto potencial em áreas como o tratamento de águas, agricultura de precisão e biotecnologia ambiental.”

Este novo financiamento permite à equipa de investigação do CFE dar um passo decisivo no caminho da transferência científica, aplicando o conhecimento gerado em laboratório a cenários industriais concretos, nomeadamente em sistemas de aquacultura e reservatórios de água para consumo humano, onde a presença de microrganismos nocivos representa um risco significativo para a saúde pública e para os ecossistemas.

A atribuição desta bolsa ao projeto PROTEGE representa não apenas o reconhecimento do mérito científico da equipa de Paulo Rocha, mas também a afirmação do TERRA como um polo de excelência na ciência aplicada às questões ambientais e alimentares. Num contexto em que os desafios ambientais e sanitários exigem respostas cada vez mais céleres e inovadoras, esta conquista sublinha o contributo relevante da investigação nacional para soluções de impacto global.