
Investigador TERRA é co-autor de estudo publicado na Nature sobre o papel das espécies arbóreas na fixação de carbono
O Laboratório Associado TERRA destaca a publicação de um estudo inovador na revista científica Nature, coassinado pelo investigador António Correia, do CEF-ISA. Este trabalho, realizado em colaboração com instituições de 13 países e coordenado pelo INRAE e o Bordeaux Sciences Agro, analisou o crescimento de 223 espécies de árvores em 160 florestas experimentais por todo o mundo, revelando descobertas fundamentais para a gestão florestal e a mitigação das alterações climáticas.
A investigação contraria uma visão tradicional ao demonstrar que as espécies conservadoras – caracterizadas pela gestão eficiente de recursos – crescem mais rápido do que as espécies aquisitivas em florestas reais, especialmente em condições adversas. Esta perceção desafia a ideia de que apenas as espécies de crescimento rápido maximizam o sequestro de carbono, sublinhando a importância da escolha das espécies em função das condições locais do solo e do clima.
Novos dados para a gestão florestal e a mitigação das alterações climáticas
As florestas desempenham um papel essencial na regulação do clima global, na preservação da biodiversidade e na purificação do ar e da água, além de serem um dos principais sumidouros naturais de carbono. Com a crescente urgência de combater as alterações climáticas, a seleção das espécies arbóreas mais eficazes na captura de CO₂ assume particular relevância.
Até agora, assumia-se que as espécies aquisitivas, como choupos, áceres e alguns carvalhos, por crescerem rapidamente e maximizarem o uso de recursos, seriam as mais eficazes para a captura de carbono. No entanto, este estudo revela que, em condições florestais reais – especialmente em solos pobres e climas adversos – as espécies conservadoras, como azinheiras, abetos e carvalhos italianos, demonstram um crescimento mais rápido e maior capacidade de fixação de carbono.
Os investigadores alertam, no entanto, que não existe uma resposta única. Em climas favoráveis e solos férteis, as espécies aquisitivas continuam a apresentar um elevado potencial de sequestro de carbono. Já em regiões com condições de crescimento menos favoráveis, as espécies conservadoras são mais eficientes.
Um contributo para a gestão sustentável das florestas
Os resultados desta investigação representam uma ferramenta valiosa para os gestores florestais, permitindo uma abordagem mais estratégica na escolha das espécies a plantar, de forma a maximizar a capacidade de sequestro de carbono e promover a resiliência das florestas face às mudanças climáticas.
Aceda ao artigo na Nature aqui.

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