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© Miguel Pereira da Silva/Lusa

Incêndios: Membros do TERRA alertam para a urgência de transformar o modelo florestal e reforçar a prevenção

Perante o agravamento do risco de incêndio rural, Helena Freitas traça um diagnóstico crítico sobre a gestão do território e José Miguel Cardoso Pereira alerta para falhas na estratégia de combate.

O Governo de Portugal decidiu renovar a Declaração de Situação de Alerta até às 23h59 do dia 19 de agosto, devido ao risco agravado de incêndio. Esta medida surge num contexto de elevada preocupação com as condições meteorológicas extremas e a pressão crescente sobre os ecossistemas florestais.

O Laboratório Associado TERRA tem acompanhado a evolução da situação dos incêndios em Portugal e promovido o debate científico sobre políticas de gestão do fogo, prevenção e resiliência territorial. Os membros do TERRA Helena Freitas e José Miguel Cardoso Pereira têm marcado presença na televisão e na imprensa nacional, contribuindo com análises rigorosas e propostas concretas para uma gestão mais sustentável do território.

Falência do Estado na salvaguarda do interesse público

Em entrevista à SIC Notícias no passado domingo, 17 de agosto, Helena Freitas, coordenadora do Centro de Ecologia Funcional (CFE) e membro do TERRA, fez uma leitura profunda dos desafios que o país enfrenta – assistimos a uma falência do Estado na sua função primordial: a salvaguarda do interesse público.

Helena Freitas alertou para a desorganização das estruturas de resposta e para a urgência de uma transformação profunda do modelo florestal, defendendo um pacto político capaz de enfrentar os impactos das alterações climáticas e recuperar os recursos naturais essenciais à resiliência territorial. A coordenadora do CFE e membro do TERRA deixou um aviso claro: “Estamos a condenar o país, porque todas as soluções que nós temos de reabilitação do território passam pelos recursos naturais.”

Falhas na estratégia de combate

Em entrevista ao Expresso, José Miguel Cardoso Pereira, investigador do Centro de Estudos Florestais (CEF) e do TERRA, traça um retrato crítico da situação atual e da resposta institucional ao fenómeno.

Para o investigador, há uma “perceção errada de que o combate está a salvar o país enquanto a prevenção falha”. Criticou a estratégia de combate “demasiado focada nas populações e estradas”, ignorando zonas agrícolas com menor carga de combustível que poderiam servir de contenção.

O trabalho dos membros do TERRA, como o dos cientistas Helena Freitas e José Miguel Cardoso Pereira, contribui de forma decisiva para a compreensão dos desafios ecológicos e sociais que enfrentamos, promovendo uma transformação informada, colaborativa e enraizada no conhecimento científico.