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Investigadores do TERRA na agenda pública: especialistas analisam riscos climáticos e incêndios rurais

José Miguel Cardoso Pereira (CEF/TERRA) e António Lopes (CEG/TERRA) estiveram esta semana em destaque na televisão nacional, trazendo à agenda pública os riscos crescentes associados às alterações climáticas.

Esta semana, dois investigadores do Laboratório Associado TERRA marcaram presença na televisão nacional, trazendo à agenda pública reflexões urgentes sobre os impactos das alterações climáticas em Portugal — desde o calor extremo nas cidades até à vulnerabilidade do território aos incêndios rurais.

Incêndios rurais: riscos e soluções

O Professor José Miguel Cardoso Pereira, investigador do Centro de Estudos Florestais (CEF) e do Laboratório Associado TERRA, participou nos dias 4 e 5 de agosto, respetivamente, nos programas Grande Edição da SIC Notícias e 360º da RTP3, onde abordou as causas estruturais dos incêndios mais graves no país e os desafios na gestão do fogo rural.

Durante a sua intervenção na SIC Notícias, o investigador explicou que “o centro e o norte de Portugal têm condições ambientais que os tornam mais favoráveis ao fogo no sul da Europa toda”. Segundo o especialista em ecologia florestal, estas regiões apresentam um clima atlântico no inverno, com elevada disponibilidade de água que favorece o crescimento da vegetação, e características mediterrânicas no verão, que promovem a seca da vegetação fina.

O Professor José Miguel Cardoso Pereira (CEF/TERRA) sublinhou ainda que, só esta semana, arderam perto de 40.000 hectares, e que as previsões meteorológicas para os próximos dias são preocupantes. “Exige precauções e cuidados acrescidos da população”, reforçou, defendendo que “o fogo tem de ser gerido e prevenido”.

No programa 360º da RTP3, o investigador reconheceu o bom trabalho de planeamento da AGIF – Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais, I.P., mas lamentou a lentidão na sua aplicação no terreno, dificultada pela burocracia. Defendeu uma gestão ativa do fogo, alertando para a acumulação de mato devido ao abandono da pastorícia e à quase extinção das queimadas tradicionais.

José Miguel Cardoso Pereira na RTP3 a comentar os incêndios em Portugal
António Lopes na RTP3 a comentar o calor extremo em Portugal

Cidades mal preparadas para o calor extremo

António Lopes, investigador do Centro de Estudos Geográficos (CEG) / Instituto de Geografia e Ordenamento do Território (IGOT) e membro do TERRA participou no programa 360º da RTP3 também no dia 5 de agosto, onde abordou os desafios crescentes das ondas de calor.

O investigador do CEG/TERRA chamou a atenção para a discrepância entre as temperaturas reais nos centros urbanos e os valores registados nas estações meteorológicas: “os centros das cidades estão normalmente mais aquecidos do que o local / a estação meteorológica onde são medidas as temperaturas máximas e também as mínimas”. Acrescentou que “algumas casas não estão preparadas”, abordando a pobreza energética e a forma como temos construído as cidades — com cores escuras, fraca ventilação e escassez de espaços verdes.

O especialista alertou para a necessidade de soluções de base natural e de criar refúgios climáticos, como o exemplo de Barcelona e a importância de monitorizar as temperaturas dentro das cidades.

As intervenções de António Lopes e José Miguel Cardoso Pereira revelam duas faces do mesmo problema: Portugal está mal preparado para enfrentar os extremos climáticos que se tornam cada vez mais frequentes. Seja nas cidades ou nas zonas rurais, é urgente repensar o território, valorizar o conhecimento científico e investir em soluções sustentáveis que protejam as populações e os ecossistemas.