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Foto: Elizabete Marchante (CFE/TERRA)

“Vamos mapear a Trichi!”: cidadãos chamados a ajudar a monitorizar o controlo natural da planta invasora acácia-de-espigas

Investigadores do Centro de Ecologia Funcional (CFE) e membros do Laboratório Associado TERRA integram a equipa da plataforma INVASORAS.PT que lançou a campanha de ciência-cidadã “Vamos mapear a Trichi!”. O objetivo é envolver cidadãos, técnicos, municípios, associações e escolas no mapeamento da presença da “Trichi” –o pequeno inseto australiano que ajuda a controlar a acácia-de-espigas, uma das plantas invasoras com maior impacto nos ecossistemas costeiros portugueses.

A acácia-de-espigas (Acacia longifolia) integra a Lista Nacional de Espécies Invasoras (DL 92/2019). Forma povoamentos densos, altera habitats naturais e áreas de produção florestal, e produz grandes quantidades de sementes que permanecem viáveis no solo durante vários anos, facilitando novas invasões. Para ajudar a conter a expansão desta planta, foi introduzido em Portugal, em 2015, um agente de controlo biológico: Trichilogaster acaciaelongifoliae, um pequeno inseto australiano formador de galhas a que a equipa chama, informalmente, “Trichi”. O inseto desenvolve-se nas gemas da acácia-de-espigas, originando galhas nos locais onde se formariam flores ou ramos novos — o que se traduz em menos flores, menos vagens, menos sementes e, a prazo, menor capacidade de expansão da planta invasora.

A libertação deste agente foi autorizada após vários anos de testes em ambiente confinado e análises de risco, e a sua presença tem vindo a ser acompanhada por investigadores do CFE e do CERNAS. A “Trichi” conseguiu estabelecer-se e dispersar-se naturalmente em diversas zonas de Portugal continental. Saber mais aqui.

O desafio atual é o de monitorizar uma área demasiado extensa para uma só equipa de investigação. “Sabemos que o agente está espalhado por muitas zonas, mas precisamos de muito mais olhos no terreno para perceber onde está, onde ainda não chegou e que efeito está a ter na acácia-de-espigas”, explica a investigadora do CFE/TERRA Elizabete Marchante. “É aqui que a ciência-cidadã pode fazer toda a diferença.”

A campanha convida qualquer pessoa que encontre acácia-de-espigas a procurar galhas nos ramos, fotografá-las e registar a observação. As galhas podem apresentar-se verdes ou acastanhadas, inteiras ou já furadas, isoladas ou agrupadas. Mesmo um registo feito durante um simples passeio, uma ação de voluntariado, uma saída de campo, uma visita técnica ou uma atividade escolar pode fornecer informação valiosa — incluindo a ausência de galhas, que ajuda a identificar as zonas onde a “Trichi” ainda não foi detetada.

Como participar

Os registos devem ser feitos, preferencialmente, através da aplicação Epicollect5, no projeto “Registo de Trichilogaster acaciaelongifoliae“. A aplicação permite registar a localização, adicionar fotografias e incluir notas sobre a presença de galhas e o estado da planta. Em alternativa, as observações podem também ser submetidas através da app iNaturalist/BioDiversity4All, embora o registo na Epicollect5 permita recolher informação mais completa para a monitorização.

Com esta iniciativa, a equipa pretende melhorar o conhecimento sobre a dispersão de Trichilogaster acaciaelongifoliae em Portugal, acompanhar os seus efeitos na acácia-de-espigas e reforçar a participação pública na monitorização de uma das experiências mais inovadoras de controlo biológico de plantas invasoras na Europa.

Mais informação e instruções de participação em invasoras.pt/pt/vamos-mapear-trichi.

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