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Aspergillus flavus under microscope

© Foto de Alexander Zabrodskiy 

TERRA reforça alerta sobre infeções fúngicas críticas após comunicado do ECDC sobre Candidozyma auris

Na sequência do alerta emitido pelo Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) sobre a rápida disseminação do fungo resistente a medicamentos Candidozyma auris nos hospitais europeus, a investigadora Raquel Sabino (ISAMB/TERRA) sublinha que esta espécie representa um desafio emergente à saúde pública e recomenda vigilância contínua e notificação obrigatória.

Nos últimos dias, vários órgãos de comunicação social têm dado destaque ao alerta emitido pelo Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) sobre a rápida disseminação do fungo multirresistente Candidozyma auris em hospitais europeus. Este organismo representa uma ameaça crescente à saúde pública, com capacidade elevada de transmissão em ambientes hospitalares e resistência a múltiplas classes de antifúngicos.

Na sequência do relatório do ECDC, Raquel Sabino, investigadora do Instituto de Saúde Ambiental (ISAMB) e membro do Laboratório Associado TERRA, sublinha que Candidozyma auris representa um desafio emergente à saúde pública e enquadra-se no conceito One Health, dado que a sua multirresistência e disseminação global resultam da interação entre fatores humanos, ambientais e potenciais reservatórios animais, exigindo estratégias de vigilância e controlo integradas”.

Raquel Sabino, que é também Professora na Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, explica que a espécie fúngica Candidozyma auris é considerada de provável origem ambiental, embora o seu habitat natural ainda não esteja completamente identificado. As suas características de resistência a níveis elevados de salinidade e a temperaturas mais altas sugerem que as alterações climáticas – em particular o aquecimento global – possam ter contribuído para a sua adaptação e propagação.

A investigadora explica no seu comentário que Candidozyma auris está sobretudo associada a ambientes hospitalares e lares, possivelmente através da contaminação ambiental ou de dispositivos médicos. “Estas capacidades poderão relacionar-se com a sua capacidade de adesão, de formar biofilmes e outros fatores de virulência ainda em estudo.”, afirma a investigadora.

O primeiro caso de C. auris em Portugal foi identificado em 2023, num hospital da região de Lisboa e Vale do Tejo, tendo sido posteriormente detetados casos no norte do país. A análise genómica enquadrou os isolados portugueses nos Clados I (Sul-Asiático) e III (Africano), ambos associados a estirpes com elevada resistência ao fluconazol. Raquel Sabino alerta para a necessidade de vigilância contínua em hospitais e lares, e defende que “a notificação deste agente às Autoridades de Saúde deveria ser obrigatória”, uma vez que os dados atuais podem não refletir a realidade nacional.

Face à crescente preocupação com as infeções fúngicas críticas, o TERRA produziu uma infografia temática que identifica os quatro agentes fúngicos prioritários em Portugal, entre os quais Candidozyma auris e destaca os principais desafios associados à sua vigilância e controlo. A infografia publicada hoje – assinada pelos cientistas do ISAMB e membros do TERRA Raquel Sabino e Francisco Antunes – propõe ainda recomendações estratégicas para decisores/policymakers e profissionais de saúde, alinhadas com o conceito One Health. A infografia está disponível para consulta no site do TERRA aqui.

Para garantir a deteção precoce de Candidozyma auris e a aplicação de medidas de controlo eficazes, Raquel Sabino sublinha “a necessidade de vigilância contínua em ambientes hospitalares e lares”. Defende ainda no seu comentário que “seria de extrema importância a implementação de um sistema nacional de vigilância dirigido especificamente a C. auris”. A investigadora lembra também a importância de adotar uma abordagem abrangente no controlo das infeções fúngicas, tal como recomendado pela Associação Portuguesa de Micologia Médica, da qual é Presidente: “uma abordagem abrangente no controlo das infeções fúngicas”, que integre vigilância, prevenção e investimento em investigação, com o envolvimento coordenado de vários setores da saúde.

Como Laboratório Associado dedicado aos grandes desafios da sociedade, o TERRA reafirma o seu compromisso com a saúde pública e a sustentabilidade, fornecendo conhecimento, aconselhamento e soluções baseadas em evidência científica. Além da infografia “Infeções Fúngicas Críticas em Portugal – Prioridades Estratégicas no contexto One Health, o TERRA disponibilizou no seu site um Policy Brief com orientações práticas para apoiar decisores e profissionais na resposta a este desafio emergente. O documento está acessível em labterra.pt/policy-briefs e integra uma coleção de propostas para uma gestão sustentável dos solos e dos serviços dos ecossistemas.

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