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Paulo Branco, Fernanda Rollo e Helena Freitas, membros do Laboratório Associado TERRA, juntam-se ao debate público sobre a fusão da FCT e da ANI, partilhando preocupações e reflexões sobre o futuro da ciência em Portugal.
A decisão do Governo de extinguir a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e a Agência Nacional de Inovação (ANI), fundindo ambas numa nova Agência para a Investigação e Inovação (AI2), gerou forte reação na comunidade científica. Três membros do Laboratório Associado TERRA — Paulo Branco, Fernanda Rollo e Helena Freitas — partilharam publicamente as suas posições, alertando para os riscos e desafios desta reconfiguração institucional.
Num artigo de opinião publicado no Expresso, o Diretor Executivo do TERRA, Paulo Branco, reconhece que a reforma do sistema científico nacional era esperada, mas critica a forma e o momento da sua implementação. Sublinha que a FCT e a ANI foram pilares na estruturação da ciência em Portugal, apesar de sofrerem de crónico subfinanciamento e imprevisibilidade. Embora conceda o benefício da dúvida à nova agência, alerta para o risco de se privilegiar a inovação em detrimento da investigação fundamental: “A ciência não pode viver confinada a ciclos curtos de retorno económico rápido. É uma maratona, não uma corrida de velocidade.”
Já Fernanda Rollo defendeu num artigo de opinião publicado no Público – conteúdo completo disponível apenas para assinantes – que qualquer reforma da política científica deve ser clara, estratégica e comprometida com o bem comum. Recorda que a criação da FCT foi uma conquista histórica e alerta para os riscos de decisões administrativas irreversíveis que possam comprometer o equilíbrio institucional e a memória coletiva da ciência em Portugal.
Helena Freitas foi um dos 13 cientistas ouvidos também pelo Público num artigo que reúne críticas e sugestões sobre a extinção da Fundação para a Ciência e a Tecnologia e a sua fusão com a Agência Nacional de Inovação – conteúdo completo disponível apenas para assinantes. Na sua intervenção, Helena Freitas critica duramente a ausência de diálogo com a comunidade científica e o risco de subordinar a ciência a lógicas de mercado. Reconhece que a FCT precisava de reforma, mas considera que o modelo proposto representa um desmantelamento dos princípios fundadores da política científica nacional.
Num texto publicado na sua página pessoal no Facebook, Helena Freitas aprofunda a sua posição, classificando a decisão como politicamente irresponsável e intelectualmente pobre. Defende que a ciência deve ser o alicerce das grandes transições contemporâneas — climática, digital, demográfica e social — e não uma variável descartável subordinada a lógicas de curto prazo.
Um momento decisivo para o ecossistema científico português
As posições dos membros do TERRA convergem na defesa da investigação fundamental, da autonomia académica e da necessidade de uma reforma participada e baseada no conhecimento. A extinção da FCT e a criação da AI2 representam, para muitos, um ponto de viragem — mas também um teste à capacidade do país de preservar e fortalecer o seu ecossistema científico.
O Laboratório Associado TERRA reafirma o seu compromisso com uma ciência livre, crítica e transformadora, e continuará a acompanhar atentamente os desenvolvimentos desta reorganização.
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DOI 10.54499/LA/P/0092/2020
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DOI 10.54499/LA/P/0092/2020