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© Bonny Dumbo
Investigadores do CFE/TERRA Arthur Macedo e João Farminhão participaram na publicação científica de uma nova espécie de orquídea, que codescreveram da África Central e Oriental.
Arthur Macedo, doutorando do Jardim Botânico da Universidade de Coimbra e do Centro de Ecologia Funcional (CFE), e João Farminhão, investigador do Centro de Ecologia Funcional (CFE), ambos membros do Laboratório Associado TERRA, descreveram uma nova espécie de orquídea epífita do género Rhipidoglossum da África Tropical. Trata-se de uma espécie endémica da região do Vale do Rift Ocidental, onde é assinalada do Uganda, Ruanda e da República Democrática do Congo. Durante décadas foi confundida com outras duas espécies do mesmo género, R. adoxum e R. globulosocalcaratum, que afinal não ocorrem na mesma região. A descrição taxonómica agora publicada clarifica os traços morfológicos distintivos entre estas espécies e redefine os seus limites geográficos.
João Farminhão (CFE/TERRA) recorda que “do momento da descoberta à descrição de uma espécie nova passam-se, tipicamente, alguns anos”. Foi em 2016, durante a sua dissertação de mestrado na Université libre de Bruxelles, que identificou pela primeira vez a espécie como nova. Em 2018, teve oportunidade de a observar e colher na colina de Kaboza, na floresta de Cyamudongo, no Ruanda, durante trabalho de campo com o Professor Eberhard Fischer. “A tese de doutoramento do Arthur foi a oportunidade que faltava para descrever em pormenor o Rhipidoglossum fischerianum, no âmbito de uma revisão do género Rhipidoglossum”, acrescenta.
Aguarela da autoria de Gilbert Delepierre
A nova espécie foi avaliada como Vulnerável (VU), quanto ao risco de extinção, segundo os critérios da UICN, sendo as principais ameaças a degradação do habitat causada pela expansão urbana, pela agricultura de subsistência e pelo avanço de plantações de chá e de Pinus patula. Para o investigador Arthur Macedo num “contexto atual de agravamento da crise climática e o enfraquecimento das políticas ambientais em vários países, especialmente nas regiões tropicais do planeta, a descrição desta nova espécie representa um passo importante para ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade, com destaque para o Rift Ocidental, na África Tropical.” João Farminhão acrescenta que “a descrição de mais uma espécie endémica da região do Rift Ocidental reforça a urgência de conservarmos estas florestas de montanha que entesouram ainda muitas espécies por descobrir.”
O nome fischerianum presta homenagem ao Professor Eberhard Fischer (Universidade de Kaiserslautern-Landau, Alemanha), reconhecido como o maior especialista na flora do Rift Ocidental, pelas suas contribuições científicas de relevo na região.
Prancha botânica desenhada por Roger Andriamiarisoa
O trabalho foi desenvolvido em colaboração com investigadores do Herbarium et Bibliothèque de Botanique africaine (Université libre de Bruxelles), Universidade Federal do Rio de Janeiro (Brasil), Missouri Botanical Garden (USA) e Meise Botanic Garden (Bélgica), integrando uma revisão taxonómica mais ampla do género Rhipidoglossum, que conta já com 53 espécies descritas na África Tropical continental. A equipa realizou uma revisão exaustiva das floras regionais e de fotografias de campo para reunir toda a informação disponível sobre a nova espécie. O investigador Arthur Macedo lembrou que “a aceleração da taxonomia, a ciência que nomeia e descreve a biodiversidade, é uma meta urgente para várias instituições científicas no mundo para as próximas décadas. Este esforço permite a identificação e mapeamento das espécies de plantas, fungos, animais e outros organismos, além de auxiliar no reconhecimento antecipado das ameaças à sua existência e avaliar seu status de conservação.”
O artigo, intitulado “A new species of Rhipidoglossum (Orchidaceae, Angraecinae) from the Western Rift Valley (Africa)”, está disponível em acesso aberto através do DOI doi.org/10.5091/plecevo.155517.
Esta publicação sublinha o papel ativo dos membros do TERRA na investigação da biodiversidade e na promoção da sua conservação através da ciência taxonómica.
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DOI 10.54499/LA/P/0092/2020
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DOI 10.54499/LA/P/0092/2020