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Teresa Ferreira, coordenadora do TERRA, entrevistada a propósito da Obra de Irrigação do Vale do Sorraia

A investigadora Maria Teresa Ferreira, coordenadora do Laboratório Associado TERRA e Professora no Instituto Superior de Agronomia da Universidade de Lisboa, foi entrevistada a propósito da iniciativa “Do Arroz ao Pinhão: Em Torno da Obra de Irrigação do Vale do Sorraia (1951-2026)”, integrada no Festival Terras sem Sombra.

A entrevista, publicada pelo SAPO, partiu da reflexão desenvolvida no âmbito desta iniciativa, dedicada à leitura de uma paisagem profundamente marcada pela água, pelo regadio, pela atividade agrícola e pelos ecossistemas ribeirinhos. O encontro decorreu em Coruche, tendo como ponto de partida a Obra de Irrigação do Vale do Sorraia, uma infraestrutura histórica que transformou a organização agrícola e territorial da região e que continua a suscitar debate sobre a relação entre engenharia, agricultura, biodiversidade e conservação da natureza.

Na entrevista, Teresa Ferreira defendeu a necessidade de ultrapassar uma visão estritamente quantitativa da água, centrada apenas na disponibilidade do recurso, sublinhando que os rios devem ser compreendidos como sistemas vivos, diversos e dinâmicos. Para a investigadora, a gestão da água não pode ser desligada dos ecossistemas que dela dependem, nem das funções ecológicas que asseguram a qualidade, continuidade e resiliência dos sistemas fluviais. Entre os principais desafios identificados, destacou-se a necessidade de conciliar os usos humanos da água – incluindo o regadio e a produção agrícola – com a preservação dos rios, das margens, da vegetação ribeirinha e da biodiversidade associada. Esta abordagem implica reconhecer que uma infraestrutura hidráulica não deve ser avaliada apenas pela sua capacidade de distribuir água, mas também pelo modo como se integra na paisagem e interfere com os processos ecológicos. Segundo a investigadora teremos deadaptar os territórios a cenários de maior escassez e variabilidade.

A participação de Teresa Ferreira nesta reflexão sobre o Vale do Sorraia reforça a relevância pública do conhecimento produzido pelos investigadores do TERRA, frequentemente chamados a contribuir para o debate mediático sobre temas ambientais, territoriais e ecológicos. Ao destacar a necessidade de olhar para as infraestruturas de água não apenas como obras de engenharia, mas como elementos estruturantes de paisagens vivas, onde produção, conservação e funcionalidade ecológica devem ser pensados de forma conjunta, a coordenadora do Laboratório Associado contribui para aproximar a ciência da sociedade e qualificar a discussão pública sobre sustentabilidade, gestão da paisagem e serviços dos ecossistemas.