
Alterações climáticas ameaçam o futuro do café, alerta investigadora do LEAF/TERRA Maria do Céu Silva
O café, um dos produtos agrícolas mais consumidos do planeta e meio de subsistência de milhões de pequenos agricultores, enfrenta um futuro incerto face às alterações climáticas. É esta a conclusão do trabalho desenvolvido pelo CIFC, coordenado pela investigadora do LEAF/TERRA Maria do Céu Silva, que tem dedicado a sua investigação a compreender como o aumento das temperaturas está a alterar o comportamento das doenças que afetam o cafeeiro, bem como as próprias condições de cultivo da planta a nível global.
As alterações climáticas estão a favorecer a expansão de doenças do cafeeiro, incluindo a ferrugem alaranjada, colocando em risco a subsistência de milhões de pequenos produtores. O Centro de Investigação das Ferrugens do Cafeeiro (CIFC) foi responsável, ainda na década de 1950, pela identificação do ‘Híbrido de Timor’ (HDT), uma população de cafeeiro que serve de base genética a mais de 90% das variedades hoje cultivadas com resistência à ferrugem alaranjada em todo o mundo.
A partir do cruzamento entre o HDT e variedades comerciais de elevada qualidade – mas suscetíveis à doença – o CIFC desenvolveu e disponibilizou a várias instituições internacionais as variedades Catimor e Sarchimor, atualmente amplamente difundidas entre produtores de café em todo o mundo. O impacto internacional deste trabalho é visível em diversos países produtores, como Colômbia e também na China.
A investigadora do LEAF-Linking Landscape, Environment, Agriculture and Food e membro do Laboratório Associado TERRA Maria do Céu Silva, que coordena o CIFC, destacou em entrevista ao ISA o alcance deste trabalho para a sustentabilidade da atividade cafeeira a nível global e para o rendimento de quem dela depende.
Neste momento, o CIFC dedica-se sobre o modo como as alterações climáticas influenciam tanto a expressão da resistência do cafeeiro à ferrugem alaranjada como a virulência do fungo responsável pela doença, com o objetivo de apoiar o desenvolvimento de variedades mais resilientes. Na entrevista ao ISA, a investigadora Maria do Céu Silva (LEAF/TERRA), sublinhou que o aumento da temperatura tem permitido a expansão da ferrugem para altitudes onde antes não era viável, originando novas epidemias com impactos económicos e sociais severos. O estudo em curso no ISA avalia como fatores associados às alterações climáticas influenciam a resistência das plantas e a virulência do fungo, contribuindo para orientar programas de melhoramento genético.
Este trabalho mereceu também destaque no Agroportal.pt, plataforma de informação digital focada na agricultura e na Política Agrícola Comum: https://www.agroportal.pt/o-futuro-do-cafe-esta-a-ser-estudado-em-lisboa/
Fonte: https://www.isa.ulisboa.pt/noticia/o-futuro-do-cafe-esta-ser-estudado-em-lisboa
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