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Investigadoras do LEAF – Linking Landscape, Environment, Agriculture and Food, unidade integrada no Laboratório Associado TERRA, alertam para a necessidade urgente de Portugal avançar com a criação de uma infra-estrutura ecológica nacional, capaz de reforçar a resiliência do território face a fenómenos climáticos extremos como tempestades e incêndios rurais.
Num artigo de opinião assinado pelas investigadoras Manuela Raposo, Natália Cunha e Selma Pena, recentemente publicado, destacou-se que a intensificação destes eventos extremos exige uma mudança estrutural no planeamento do território, defendendo que a infra-estrutura ecológica deve ser encarada como um sistema estratégico essencial, ao nível de outras redes nacionais, como a viária ou a energética.
Segundo as autoras, a ausência de uma visão integrada e a fragmentação de competências entre diferentes entidades dificultam a implementação de soluções eficazes, comprometendo a capacidade de adaptação do país às alterações climáticas. A criação de uma rede ecológica estruturante permitiria articular áreas naturais, florestais, agrícolas e urbanas, promovendo simultaneamente a conservação da biodiversidade, a proteção dos solos e a mitigação de riscos naturais. A proposta assenta numa abordagem baseada na paisagem, que valoriza soluções apoiadas na natureza para reduzir a vulnerabilidade do território a incêndios rurais, cheias, tempestades e ondas de calor. Estas soluções incluem a gestão sustentável da floresta, a recuperação de ecossistemas degradados e a criação de corredores ecológicos que reforcem a conectividade e a funcionalidade dos sistemas naturais. A implementação de uma infra-estrutura ecológica nacional é também apontada como um instrumento fundamental para o ordenamento do território e para a segurança das populações, contribuindo para um desenvolvimento mais sustentável e resiliente. Recomenda-se, neste contexto, que a sua delimitação e integração sejam assumidas ao nível central, articulando políticas sectoriais e instrumentos de planeamento existentes.
O alerta das investigadoras do LEAF reforça o papel da ciência na definição de políticas públicas capazes de responder aos desafios ambientais contemporâneos, destacando a importância de uma abordagem sistémica que reconheça a natureza como infraestrutura essencial ao bem-estar humano e à sustentabilidade do país.
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DOI 10.54499/LA/P/0092/2020
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DOI 10.54499/LA/P/0092/2020