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O investigador Luís Santos Pereira, membro do LEAF – Linking Landscape, Environment, Agriculture and Food e do Laboratório Associado TERRA, publicou no jornal Público um artigo de opinião onde analisa as recentes cheias no Baixo Mondego e alerta para fragilidades estruturais e institucionais na gestão dos diques da região.
Com uma carreira de várias décadas ligada à hidráulica agrícola, Luís Santos Pereira recorda que foi responsável pelo setor de Hidráulica Agrícola no Ministério da Agricultura entre 1977 e 1980, período em que colaborou com a então Direção-Geral dos Serviços Hidráulicos do Ministério das Obras Públicas.
No artigo recentemente publicado no Público, o investigador do LEAF/TERRA reconhece que os sistemas de rega e drenagem das várzeas têm evoluído positivamente, mas alerta para o estado dos diques, onde a falta de manutenção e a proliferação de vegetação arbórea e arbustiva representam riscos significativos.
Reconhecido nacional e internacionalmente na área da Engenharia Rural, em particular da rega, drenagem e gestão da água, o investigador Luís Santos Pereira explica que, embora a vegetação possa reduzir a erosão e melhorar a paisagem, a sua presença descontrolada diminui a velocidade de escoamento, elevando o nível da água durante cheias e aumentando o risco de galgamento. Acrescenta ainda que as raízes criam túneis de infiltração que comprometem a estabilidade dos aterros, acelerando a deterioração dos diques.
O investigador identifica como principal falha a inexistência de uma instituição dedicada à monitorização e conservação dos diques do Mondego e das várzeas dos seus afluentes. Defende que Portugal continua a reagir com improviso em vez de planear emergências previsíveis, e apela a uma abordagem participativa que envolva populações e agricultores.
“É absolutamente essencial evitar o risco de galgamento; é fundamental assegurar o sossego confiante da população defendida”, escreve, deixando uma pergunta que interpela diretamente a gestão territorial: “A quem caberá assegurar que os diques não serão galgados? Talvez à cidade.”
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DOI 10.54499/LA/P/0092/2020
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DOI 10.54499/LA/P/0092/2020