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Em entrevista ao Conta Lá, o investigador Paulo Miguel Madeira (CEG/TERRA) alerta para desigualdades territoriais persistentes e para a necessidade de melhor informação municipal para orientar decisões de investimento.
O geógrafo Paulo Miguel Madeira, investigador do Centro de Estudos Geográficos (CEG) / Instituto de Geografia e Ordenamento do Território da Universidade de Lisboa (IGOT) e membro do Laboratório Associado TERRA, foi entrevistado pelo canal informativo Conta Lá a propósito dos novos dados sobre o acesso à rede de saneamento em Portugal. O mais recente relatório da Associação Portuguesa de Distribuição e Drenagem de Águas (APDA) revela que mais de 800 mil habitações no território continental continuam sem ligação ao sistema público.
A situação é particularmente crítica no Alentejo, onde quase 20% das casas — mais de 97 mil alojamentos — permanecem sem acesso à rede. Apesar de a região apresentar o maior défice proporcional, é no Norte que se concentra o maior número absoluto de habitações não servidas: mais de 350 mil, correspondentes a 18,7% do total regional.
Para o investigador Paulo Miguel Madeira, estes valores representam uma realidade “preocupante”, explicando-se em grande medida pela distribuição desigual da população no território. “Parte deste problema tem a ver com o facto de termos população mais ou menos concentrada em centros urbanos e, por outro lado, população mais dispersa pelas áreas rurais. Quando vamos para as áreas urbanas, devido à concentração dos alojamentos, é menos dispendioso criar a rede. Há o que se chama economia de escala e de aglomeração, e, portanto, consegue-se mais facilmente fornecer o serviço, ao contrário das zonas mais dispersas”, sublinha. O investigador destaca ainda que a topografia desempenha um papel relevante, dificultando a expansão da infraestrutura em algumas regiões.
Embora se tenham registado melhorias entre 2020 e 2022, o geógrafo considera improvável que Portugal venha a alcançar uma cobertura total das redes de água e saneamento num futuro próximo. Em certos contextos, afirma, seria um investimento que “talvez não se justificasse”, existindo soluções alternativas que podem ser mais adequadas.
Paulo Miguel Madeira alerta também para a necessidade de melhor informação sobre os alojamentos não servidos, nomeadamente distinguindo entre habitações permanentes e sazonais. “Tecnicamente não há nenhuma impossibilidade de ter dados por município. É um processo que tem os seus custos, que leva tempo, mas não é complicado. Não envolve fazer inquéritos ou amostragem. É uma informação que existe nos municípios, por exemplo, nos serviços municipalizados” refere, defendendo que o acesso a estes dados é essencial para compreender a verdadeira dimensão do problema e orientar políticas públicas eficazes.
A reportagem completa pode ser consultada no site do canal Conta Lá https://www.conta-la.pt/pt/portugal-tem-800-mil-casas-sem-saneamento-alentejo-tem-o-pior-defice-de-cobertura
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DOI 10.54499/LA/P/0092/2020
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DOI 10.54499/LA/P/0092/2020