Início / Notícias
A espécie Chlorogaster dipterocarpi é conhecida de poucos registos na ilha de Bornéu no Sudoeste da Ásia. Esta região constitui um importante hotspot global de desflorestação, levando à avaliação desta espécie como Vulnerável.
© DR | Thomas Læssøe_CC BY-AS
Um estudo internacional publicado na revista Conservation Letters, que contou com a participação da investigadora do Centre for Functional Ecology (CFE) e membro do Laboratório Associado TERRA Susana Gonçalves, alerta para um risco silencioso e pouco conhecido: a possível extinção de espécies de fungos sem qualquer parente próximo na árvore da vida. A sua perda representaria o desaparecimento de ramos inteiros da história evolutiva do planeta.
A investigação resulta de uma colaboração entre o CFE e o Comité para a Conservação dos Fungos da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). A equipa identificou espécies evolutivamente distintas e globalmente ameaçadas.
O estudo analisou 94 espécies de fungos pertencentes a géneros monotípicos, grupos que incluem apenas uma espécie conhecida, e revelou um cenário preocupante: nove espécies já se encontram ameaçadas ou próximas desse estatuto, 56 não dispõem de informação suficiente para avaliar o seu estado de conservação e apenas 28 foram classificadas como de baixo risco.
Apesar do seu papel fundamental na decomposição da matéria orgânica, na regulação dos ciclos de nutrientes e no funcionamento dos ecossistemas, os fungos continuam amplamente ausentes das estratégias internacionais de conservação.
“O envolvimento dos cidadãos pode ser decisivo para colmatar lacunas de informação e apoiar a conservação”, sublinha a investigadora do CFE/TERRA Susana Gonçalves, destacando que espécies com poucos registos ou registos antigos são candidatas ideais para projetos participativos.
Os autores recomendam ainda que estas espécies únicas sejam alvo de análises moleculares para confirmar a sua posição isolada na árvore da vida. Sempre que se confirme o seu carácter singular, devem ser consideradas prioridade absoluta para conservação.
Partilhe esta notícia:
DOI 10.54499/LA/P/0092/2020
Copyright Labterra 2024 © By Ação360
DOI 10.54499/LA/P/0092/2020